Canções que acabam antes do fim
Agosto 12, 2008 · 1 Comentário
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Amy, Amy, Amy
Agosto 3, 2008 · 2 Comentários
Há muito tempo essa maluca com cabelo de colméia merecia um textículo só pra ela. Ela foi meu rito de passagem para os meus 25 anos, na minha escalada por esta montanha de esperanças².
Não gosto do tratamento dado para ela na imprensa. Porque é público e notório que ela não dá as suas bozadas para aparecer. Gostei quando Andrew Lloyd Weber, que não é qualquer um, saiu em defesa da Amy, dizendo que ela é uma pessoa que não sabe lidar com seus conflitos e com seu talento. Ela realmente sofre. Claro que um papparazzo está pouco se importando com os conflitos existenciais de uma celebridade drogada e presa fácil, mas a tratam como se ela fosse uma espécie de avis rara. E ela é um ser humano. Acho que esta fonte de escândalos que ela se tornou é justamente porque ela não tá nem aí para os holofotes que a rodeiam. It´s just a girl.
Final de 2007. Junto com Victoria Beckham, é considerada a celebridade inglesa mais cafona. E alguns meses depois, a Vogue faz um ensaio com Isabeli Fontana posando de Amy Winehouse. E isso ecoou aqui em terras tupiniquins, na época do Fashion Week, só que com a Gisele Itié. Peraí: cafona, mas ícone fashion? Eita, mundo estranho.
Como eu quero mudar de mundo, não quero mais brincar de entender essa gente estranha. O fato é que as canções dessa desmiolada fazem parte do meu mundo e de outras pessoas também. Realmente não sei se ela sobrevive a tanto ‘tóchico’, mas mesmo que sobreviva, é difícil bater o Back to Black. Se ela estivesse bem já seria difícil, com toda a sorte de problemas que ela tem que superar agora – sobreviver, inclusive – eu confesso que meu coraçãozinho de fã tem poucas esperanças. Estou tentando me contentar com seus dois álbuns de estúdio.
Poucas, mas existem. Torço para que ela se reinvente, calando a boca dessa gente careta e maldita³. Ela merece, eu acho.
Referências:
1 – Última canção do primeiro álbum, Frank. A Musicoteca tem os dois álbuns na íntegra.
2 – Penúltimo textículo, “Para gente não loira”.
3 – Alusão à Joana, cançao bem-humorada do segundo álbum da Ana Carolina.
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Para gente não loira¹
Julho 22, 2008 · 1 Comentário
Ouvindo o Better, bigger, faster, more da primeira à última faixa, percebe-se de cara que 4Non Blondes não se trata de uma simples “one hit wonder band”. O álbum todo é fantástico, muito bem produzido, e tem o equílibrio perfeito entre o pop e o alternativo. Tem a sujeira grunge dos anos 90 (mesmo que a banda não fosse grunge, mas isso estava no clima da década) e fórmulas batidas do pop bem aproveitadas, mas também há raízes profundas da música norte-americana: blues, country, rock n´roll. Ou seja, é um álbum completo. Dizem até que houve um segundo álbum gravado, nunca lançado.
Nunca consegui saber direito o motivo do fim da banda, é que é difícil ser fã de uma One Hit Wonder Band, ainda mais em tempos pré-Internet. Mesmo hoje, não existe muita coisa. A teoria do oráculo Wikipédia é que Linda saiu em 1996 em carreira solo, por achar o trabalho da banda muito pop. Realmente, ela tinha potencial para ser muito mais rock n´roll do que ela vinha mostrando no 4 Non Blondes, mas mesmo assim, acho isso lorota. Devem ter ganhado tanto dinheiro com What´s up? , que daria para se aposentar por quatro gerações.
Entre a lorota e a realidade, acabo de formular a minha teoria. O primeiro álbum da banda acertou na mosca, mesmo não tendo nada de novo, necessariamente. É como eu já disse, foi muito bem feito, bem equilibrado. Não havia mais para onde ir, simplesmente. Difícil bater um álbum bom daquele, se bem que descobri nas minhas caçadas ao Santo Youtube, uma canção nunca lançada em disco que eu achei muito boa, e mostra o vozerão de leoa da Linda:
1 – Referência ao nome da banda, que segundo a lenda, seria “para gente não loira” (4 Non Blondes).
2 – O álbum que eu ganhei da minha irmã dos Cranberries, é o No Need To Argue, outro clássico dos anos 90.
3 – Um agradecimento singelo, porém verdadeiro a todos personagens deste ‘causo’ musical: desde o Cao, que com certeza não se lembra niente de mim, à minha irmã, por ter achado essa pérola em uma prateleira qualquer da Virtual Music, ao meu cunhado, porque tocava bateria enquanto eu era cantora de um hit só, e até ao Mauro, meu ex-baterista ruim pra cacete. (E ao Forrest, que não faz parte do conto, mas que me ensinou a postar vídeos do Youtube!!! Tá bom, eu descobri a pólvora, eu sei.)
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Novidades nos Textículos
Julho 17, 2008 · 3 Comentários
Empolgada pelo Music Inside My Head, do meu vizinho e crítico musical da Blogosfera sem Audiência, estou fazendo algumas mudanças nos Textículos.
Primeiro é que estou colocando links para downloads nos textículos da categoria Toptoptop, copiando descaradamente a idéia do baterista da nossa banda ainda sem nome. Estreei com o link dos álbuns do Trash Pour 4, no textículo Eu quero que você se… PopPopPop! . Aos poucos, vou colocando nos outros textos que falam de música também.
E os Textículos em breve vão ficar de cara nova. Coming Soon! (Somente a versão Blogspot)
E é para mim mesma essa cambalhota!
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Music makes my life
Julho 14, 2008 · Deixe um comentário
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Mensagens na garrafa
Julho 13, 2008 · Deixe um comentário
Este Blog de Vida Dupla Mais sem Audiência do Ciberspaço, como sabem, veio depois dos diários de papel, mas não os sucedeu: é como se fosse meu marido e o meu diário, o amante, que pego na calada da noite em busca de proteção e abrigo. Categorias: licença poética
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Sobre este meu constante exercício de duplipensar
Julho 3, 2008 · 1 Comentário
Estou quase acabando de ler o 1984 emprestado pelo meu Vizinho das Galáxias, mas não dá para aguentar esperar o fim para falar que ando ‘duplipensando’ horrores ultimamente. Fui ainda incentivada por Minduim. Explico.
Em Novilíngua, Duplipensar é um estado de alienação consciente (ou de consciente alienação, se preferir). Significa manter estas duas polaridades unidas para perpetuar o poder, numa Oceania imaginária, dominado por um Ingsoc tirano, totalitário e… de esquerda.
Neste mundo de ‘democracia, com responsabilidade social e ambiental’ – tenho que citar Minduim nessa, não tem como – regado a muito Jornal Nacional e Revista Veja, parece que não há mais a ‘ameaça’ de uma Ditadura do Proletariado daquelas. Até Fidel pendurou as chuteiras! A classe média-mediana-medíocre suspira aliviada. E nem precisa de Vick Vaporub.
Tenho nojo desse mundo, dessa pseudo-liberdade. Estamos vivendo o 1984 mesmo, à base de Grande Irmão, Polícia do Pensamento e Teletela. Se eu ainda vivesse o sonho pós-geração 60, mesmo atrasado, tudo bem, já até fiz isso. Mas agora, nem nas instituições de esquerda eu acredito mais. Aliás, para mim, ultimamente estas duas esferas se completam, e essa descrença veio como se fosse canção do Cazuza, num corte lento e profundo, e sem razão definida.
O auge do meu duplipensar aconteceu na última sexta. Paralisação dos professores. Eu fui, sozinha. Não quis me misturar. Em vez disso, sentei na calçada, e abri o 1984. Depois de uma hora, fui embora, não desci a Consolação junto com a passeata. Fiquei pensando que catzo que eu sou: alienada ou covarde? Pendi mais para o lado do covarde, entendo o que está acontecendo. Só que descer pro play e não brincar nunca foi comigo, então porque fui até o vão livre do MASP? Com o livro na mão, caiu a minha ficha (sou oitentista, tá bom?): é duplipensar na sua forma mais pura.
Talvez seja o que eu faça pra não enlouquecer com a minha descrença, afinal é muito triste viver sem esperança. Mas esperança burra eu também não quero. Então, “deixai toda a esperança, vós que entrais!” Seguindo Dante Alighieri, ao cruzar os portais do Inferno, troquei o idealismo pelo cinismo: não quero mais mudar o mundo, quero é mudar de mundo. O movimento ganha cada vez mais adeptos, é só entrar na minha comunidade no Orkut. Escolha o planeta de sua preferência e go ahead, com ou sem esperança, pode entrar.
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Eu quero que você se… Pop Pop Pop!
Junho 25, 2008 · Deixe um comentário
Façam suas apostas!
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Mulheres
Junho 24, 2008 · 1 Comentário
Apesar deste Blog de Vida Dupla Mais Sem Audiência do Ciberespaço chamar-se Textículos de Mulher, sempre enfatizei os Textículose nunca o Mulher. E hoje é o dia. Nunca contei o quanto gosto de ser mulher. É fascinante, apesar da TPM e da depilação com cera quente.
Mulheres não são perfeitas, são perfectíveis. Quando o macho previsível crê que tudo sabe sobre elas, elas já não são mais as mesmas, passaram por mais uma metamorfose. Quando se pensa que estão rendidas, destruídas, ou simplesmente, apaixonadas, o macho perdido toma delas uma bela rasteira, um frango daqueles de deixar qualquer goleiro desmoralizado. E eles parecem não aprender nunca.
É duro ter que me repetir. Então, deixo o resto pra Elisa Lucinda, que esgotou a questão com o fantástico “Aviso da Lua que Menstrua”:
Aviso da Lua que Menstrua
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua…
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita…
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na “vera”
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos…
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a “cidade secreta”
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!…
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha…
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!
Ah! E um pequeno PS: acho uma tremenda bobagem esse papo de “homens são de Marte e mulheres são de Vênus”. My love is Venus too.
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Quer saber? Vou subir num banquinho e xingar a rainha que eu ganho mais.
Junho 11, 2008 · 3 Comentários
Foi-se o tempo em que eu queria mudar o mundo, agora eu quero mudar de mundo. Porque não pode ser possível eu ser da mesma espécie de gente que solta uma bomba no corredor da escola em pleno horário de intervalo ou que ateia fogo em área de Preservação Ambiental em dia de tempo seco. Aliás, estou me perguntando o que estes seres precisam para serem promovidos a categoria de ser humano.
Ficar sabendo desse tipo de coisa já me preocuparia bastante. Presenciar me deixa com vontade de me enforcar no pé-de-salsinha mais próximo. Além dos motivos tradicionais, com questionamentos clichês e vazios do tipo “Onde nós vamos parar assim?”, também me preocupa o fato de que esta falta de ordem total é capaz de fazer com que até Mahatma Ghandhi se torne um porco reacionário. É o meu caso.
Primeiro eu acreditava que as pessoas teriam que tirar habilitação para pôr mais gente no mundo. Pensa só: se as pessoas fazem merda no trânsito com habilitação, imagina se não existisse. É só ver no que dá qualquer um ser capaz de copular com uma fêmea, fecundá-la, e esta por sua vez, conceber um novo ser e jogá-lo no mundo. Eu também era a favor da restrição da distribuição de óvulos, até porque a maioria não é usado. E TPM dá um prejuízo do cacete.
Mas isso era antes de querer mudar de mundo. Habilitação para procriar era uma solução progressista, quase de centro-esquerda. Minha porção Stálin acordou e ela acredita que o melhor é esterilização em massa. Já tem gente demais no mundo. Chega. “Você gosta de sexo, meu filho? Então só brinca, sem procriar, por favor! Além do que seu DNA não tem nada de bonito.”, ele diria.
Já que tem gente demais no mundo e gente que definitivamente não pensa, o meu Stálin de estimação acha que estes conjuntos de ossos e músculos flácidos podem servir para alguma coisa. Campo de trabalhos forçados, por exemplo. Minha porção Stálin saliva só de imaginar os autores das façanhas relatadas em uma pedreira sem nenhuma sombra, com Sol a pino, preso a uma bola de ferro, quebrando pedras com uma picareta.
Ter minha porção Stálin acordada me entristece. As gerações anteriores lutaram tanto por liberdade, tanto individual quanto política, para que anos depois alguém ateie fogo à uma área remanescente da Mata Atlântica e este seja tratado como “menor infrator”. Esse tipo de coisa é capaz de deixar muita gente com saudades da Ditadura Militar.
O mundo padece de estupidez crônica. E acordar Stálin também é estupidez. Até porque esta desordem toda não é originada por falta de leis, ou por leis que não são cumpridas. A própria lei pode provocar a impunidade.
No Inglaterra, a lei é clara: “Não se pode ofender a rainha em solo sagrado”. O cara resolveu testar esta lei. Pegou um banquinho, daqueles de alcançar as prateleiras mais altas do armário, foi até um daqueles guardas reais, que nem piscam mesmo que você peide na cara deles. Foi lá, subiu no banquinho e xingou a rainha. O guarda o levou preso. O acusado alegou: “Eu respeitei a lei. É proibido desacatar a rainha em solo sagrado. Eu estava em cima do banco. Este, que estava em solo sagrado, não ofendeu a rainha.” O cara foi solto.
Chega. Vou externar a minha indignação, antes que eu entre para a TFP. Vou xingar a rainha em cima do banquinho que eu ganho mais.
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